quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

É...

Assumo.
Vivo uma relação altamente desgastada.
Pelo tempo.
Pelos atos.
Pela falta deles.
Tudo contribuiu para isso.
Essa ladeira abaixo pisando no acelerador.
Viver a 2 é complexo.
A 4,mais difícil ainda.
São atitudes que não posso ter.
São palavras que não posso proferir,mesmo sabendo que estou certo.
Tenho um "filho" que não é meu filho e por mais que ele me irrite, eu gosto do pequeno.
Só que por mim ele perdeu o respeito.
Por mim e pelo resto de sua família.
Mas eles, seus familiares, não enxergam o pequeno monstrinho que estão criando e alimentando com sua OMISSÃO.
Acham que chamar a atenção de quem age de forma errada é uma infâmia tão grande qtos aos
"merdas" e "vai se fuder" que essa criança aprendeu a proferir.
Ele sabe exatamente o que diz.
E parece se deleitar com isso.
Que incrível manipuladorzinho ele ja é.
E só tem 9 verões.
Sou intruso em uma casa repleta de erros.
Onde deixar a criança fazer o que bem lhe aprouver é menos cansativo do que botar de castigo.
Gritam,pegam a vassoura e proferem impropérios.
E ele ri.
Com escárnio.
Sabendo que aqui dentro ele sai impune de todas as coisas erradas que faz.
Lá fora,quando crescer,aí entra na dança.
Vai aprender na marra o que queremos passar na lição.
Vai aprender na prática,o que a gente tenta ensinar na teoria.
A mãe,essa acha que permitir as ações erradas é compensar a ausencia dela.
Ledo engano.

Tá criando cobra.
E quem cria cobra, uma hora amanhece picado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Reflexo

Do outro lado do salão,eu vejo você.
Noto em seu olhar uma sensação de tristeza.
Um desejo de manter o que se ganhou com tanta demora e que se perdeu com tanta presteza.
Desespero.
Contemplo a minha própria imagem no espelho.
Silêncio.
O que faz com que as reflexões sobre erros e acertos sejam colocados na balança.
E a consciência,essa velha que nos cobra sobre atitudes e valores,sempre está lá.
Para nos lembrar que NADA do que fazemos de bom ou ruim nos deixam sair ilesos.
Às vezes, ela volta para cobrar.Injusta e fria,ela cobra sem querer saber sobre alegações ou explicações de nosso modus operandi.
Sincera e implacável, ela vem nos submeter a confissões por vezes dolorosas.
Não sei o que de bom eu deixaria hoje para os que ficam.Não escrevi um livro,não plantei uma árvore.
Só amei.
Amei como um pastor que tem amor em pregar para os gentios.Amei como se talvez eu nada mais pudesse fazer a não ser isso.
Mas a vida te cobra um preço muito alto por amar demais.
Você acaba se "anulando" pelo outro.
Sua individualidade se esvai como o tempo que passa e não volta.
Bella disse : "Cada minuto que passa eu estou mais perto do fim..."
Faço destas as minhas palavras.
O que eu deixo como legado para as gerações vindouras?
Que tipo de exemplo minhas atitudes servirão às outras pessoas?
O amor?
O conselho?
O amor pode ser encontrado de mil maneiras diferentes,seja físico,em troca de um punhado de notas,seja "por mais que eu te ame,nunca terei você".
O conselho,você pode encontrar nas páginas de livros de auto-ajuda,nas revistas semanais de fofocas e celebridades instantâneas.
O que eu deixo para o mundo?
Lacuna.
E a sensação "de que poderia ter sido".
Mas para isso, os elfos não têm resposta.

retorno do Rei [2]

Os momentos que precedem a minha volta são de ansiedade.
Como eu disse anteriormente, quero sair disso tudo com a certeza de ter dado meu melhor.Quanto aos combates,digo que não possuo mais o júbilo da batalha.
Será que devo me recolher?Será que devo me tornar exatamente o que mais abomino?O ser humano comum, mediano?
Ó dúvida amarga que me pressiona e me coloca em grilhões quase inquebráveis!
Será que eu sou uma espécie de Prometeu acorrentado,fadado a ser comido pelos corvos pela manhã e a noite ter minha carne curada,para que no outro dia isso aconteça pelas eras ?E você será como Europa, perseguida pelos seus próprios problemas e ainda assim, bendita entre os deuses,irá me libertar das correntes?
Minha dívida para com você é imensa,sem precedentes.Porém,sei que entre nós, não há dar nem receber.
Há amor,carinho,compreensão,diálogo,sinceridade,cumplicidade entre dois indivíduos tão próximos...
E tão distantes em certos momentos.
É quando eu fraquejo que tenho de pensar em todas as palavras e gestos com os quais você sempre me faz buscar a força pra retomar o fôlego.Muitas vezes já pensei em desistir, eu assumo.Em me tornar realmente o comum.
O menino disse ao admirável filho de Peleu:"Ele é o maior homem que eu já vi, eu nunca lutaria contra ele"E o outro,baluarte dos aqueus de longas cabeleiras assim retrucou:"E é por isso que você nunca será lembrado."
Olho para o lado e penso...Quem poderá me suceder depois que eu partir?Quem carregará o fardo e o cetro quando finalmente a maldita velhice me afastar do meu lugar entre os heróis?Heróis...
Onde estão aqueles com os quais eu caminhava anteriormente?Hoje,noto uma geração de jovens entregues às delícias da vida.Não vejo pensadores nem filósofos.Vejo muita bazófia e tendências a uma vida contemplativa.Onde estão os que levantavam a voz embriagada e perguntavam: MAS QUE DIABOS É ISSO TUDO AQUI??Se perderam.Se foram.Se deixaram levar pela corrente inexorável.Ou simplesmente desistiram de esperar pelo retorno do Rei.Devo continuar?
Sei apenas que independente do que aconteça, minha alma está ligada à sua.Sei apenas que tua força me fortalece.Teus conselhos, sábios e duros são para mim a verdade.

Que eu use novamente as sandálias da humildade,para não pisar em ninguém com pés cheios de orgulho.
Que eu use o Cinto dos Encantos,para que quem olhe para mim,veja mais que apenas as feições carrancudas que tenho aparentado ultimamente e note a beleza que se encontra em mim de mil formas diferentes.
Que no meu peito, eu use a Couraça Instransponível ,para que a frieza e a descrença não me tornem um bruto , um frio.
Que mais uma vez eu possa cingir o Elmo Protetor ,aquele que evita que as setas dos inimigos penetrem em meus ouvidos, essas palavras que ferem e envenenam tudo o que tocam,contaminando a todos.

Já pensou em ser rainha?
Pensando alto.

O retorno do Rei



Um dia, enquanto conversava com seu Rei, mestre e amigo Alcartur Toltyo, Erunamë, uma pupila visionária, disse uma coisa que muito tempo depois permaneceria na mente do nobre para o resto de sua vida:

- Independente do que aconteça, meu amo, nunca se esqueça que um rei, antes mesmo de o ser, é um guerreiro. Um guerreiro na pele de um homem que como todos os homens, têm seus momentos de fraqueza. Um homem que reveste o ego de um rei precisa saber vesti-lo e nunca se esquecer que quando se é feito rei e a coroa toca sua cabeça, deixa uma marca perpétua, esta nunca podendo ser apagada. Assim são feitos os reis. Assim os reis sempre são reconhecidos onde quer que estejam e carregam o amor de seu povo, pois essa marca brilha e a distancia, qualquer um que não esteja cego de maldade, ambição ou que tenha o coração negro, pode vê-la.

Ao ouvir isso, devido ao momento de intensas guerras e sofrimento pelo qual passava, Alcartur se encheu de esperança e soube que teria sempre uma fiel amiga ao seu lado. Para ele, simplesmente não importava se Erunamë não tinha sangue nobre ou se seu coração era muito fechado, mas ele sabia que ela sempre estaria ao seu lado. E quando ele pensava nela desta forma, seu coração se aquiescia e reconhecia que poderia ser empunhando uma espada, cuidando de seus ferimentos ou apenas com suas palavras que lhe abriam os olhos quando uma névoa se instalava em seus pensamentos, mas ela sempre estaria ali.

Erunamë sabia que devia muito ao seu rei e que suas palavras o ajudariam em um futuro mais próximo do que ele imaginava. E se alguém sabia que viriam tempos piores do que já estavam se passando, esse alguém era ela. A cada vez que olhava nos olhos de Alcartur, sentia uma preocupação estarrecedora e por muitas vezes chegou a dar conselhos precipitados a ele para tentar protegê-lo de todo o mal, mas no fim, sempre percebia que estava agindo de forma errônea. Que protegê-lo apenas o ajudaria naquele momento, mas ao mesmo tempo, o privaria de uma lição. Uma lição que, se estava em seu caminho, era um sinal de que ele deveria aprendê-la, fosse da melhor ou da pior maneira.

Assim seguiram seus caminhos, um ao lado do outro. Ela sempre o acompanhando nas guerras contra os monstros pequeninos e suas matriarcas, que podem simplesmente dilacerar o coração dos maiores e mais poderosos homens. Estava também presente na luta contra os que tentaram fazer dele um fantoche, firmando sua posição e tramando, mesmo que fosse pelas suas costas. Tudo correu bem e o rei Alcartur comandava um exército de homens já não tão fortes nem não tão fiéis. Possuía como seguidor um povo não tão leal e demasiado interesseiro, até que de próprio coração, o rei decidiu deixar o trono.

Alcartur deixou o trono e foi morar em terras distantes, sendo tratado por nova ama e lutando diariamente com os monstros pequeninos. Monstros estes que pareciam sempre ser mais fortes do que ele e o faziam esmaecer, pensando em desistir. Erunamë não o seguiu, pois ela não poderia ver seu querido rei ser tratado por outras amas ou lutar nas guerras contra os pequeninos sozinho. Porém, trocavam cartas quase que diariamente e sempre que possível, sem ninguém saber, os dois se encontravam e fortaleciam um ao outro, com palavras e sorrisos que valiam mais do que ouro para um anão.


Nenhum rei foi posto em seu lugar. O povo simplesmente seguiu com sua vida relembrando de seu querido rei e alguns ansiavam pelo seu retorno. Poucos anos se passaram e a situação foi permanecendo a mesma, a guerra contra os pequeninos só foi piorando e o rei esmorecia a cada dia mais esmorecia. O cuidado de sua nova ama já não era o mesmo e isso o fazia se sentir ainda pior. Alcartur sentia falta do reconhecimento de seu povo e da lealdade de seu exercito. Sentia falta de ser rei e sentir a coroa em sua cabeça, do poder de ter seus desejos plenamente atendidos. Alcartur sentia falta de ser o rei Alcartur Toltyo, o mito. E resolveu voltar.

A decisão assustou Erunamë, que de tão feliz, precipitou-se se aproximando-se e abraçando seu rei. E de forma espantosa, ele retribuiu o abraço que sempre desejou. Eles ficaram encabulados por um momento e logo então voltaram ao normal, começaram as perguntas. A todo momento passava pela cabeça de Erunamë o que poderia ter feito Alcartur voltar atrás em sua decisão, já que ele era um homem difícil de mudar seus pontos de vista e suas decisões. Será que ele se cansara das lutas diárias com os pequeninos? Ou sua ama estava deixando a desejar em seus cuidados? Ou será apenas que ele simplesmente havia cansado de ser apenas um humano e seu coração nobre havia novamente acendido a chama dentro de seu peito e despertado o ego feroz daquele guerreiro? Por mais confusa que estivesse ela sabia que todos esses motivos haviam contribuído para o retorno do rei, do seu rei. Que após mais de nove anos ao seu lado, com distanciamentos, batalhas, lagrimas e sorrisos, ela sabia reconhecer os motivos que moviam aquele coração que muitas vezes parecia endurecido e amarguro, mas que escondiam um menino de coração puro, que sempre estivera aberto aos seus conselhos e opiniões.

Então, foram dados os primeiros passos e o rei aos poucos foi retornando ao seu devido lugar. O povo, ao saber da noticia, preparou grandes festas de boas vindas para Alcartur e agradeceram aos magos e oráculos por ele finalmente ter voltado. Foram preparados bolos de sementes de milho, cervejas, vinhos, geléia de framboesa, pastelão de carne com queijo, torta de carne com salada, mais bolo e mais cerveja. Fogos mágicos de artifício foram feitos pelo melhor mago da cidade e permaneceram no céu até que o sol se firmasse no infinito.

Assim aos poucos o rei foi retornando. Diariamente ele fazia visitas ao seu reinado para que novamente as pessoas se acostumassem com sua presença, assim como seu antigo lar, embora em seu coração nunca houvesse sido reconhecido desta forma, se acostumasse com sua ausência. E em sua mente Alcartur estava decidido a retornar e ocupar seu trono, contando com a ajuda de sua pupila e amiga Erunamë. Porém, por mais que se trate da vontade de um rei, o tempo pesa e atitudes também.

Alcartur entendeu que por mais desprovidas de maldade ou qualquer outro sentimento negativo fossem suas atitudes, elas nunca o deixam sair ileso de nada. A consciência sempre cobra e às vezes, um preço alto demais que nem todos estão dispostos a pagar. Quando não pagam, ela leva o que tem pela frente, não querendo saber se são reis ou não.

Erunamë continuou ao seu lado no processo, segurando mais suas previsões e opiniões para si. Ela já não precisava falar mais nada, pois ele sabia todas as suas opiniões e os segredos mais sombrios do coração daquela jovem que durante todo o tempo esteve ao seu lado. Mas ele sabia também que no primeiro momento em que fosse firmado o seu retorno à Terra Média, ela estaria lá para coroá-lo novamente. Não só com uma coroa cravejada de brilhantes e brindes de cerveja e vinho, mas com palavras doces de reconhecimento e carinho. Reconhecimento este que ele não teve durante todos os longos anos em que esteve distante e que sentia tanta falta.

E então, quando Erunamë olhou nos olhos de seu rei e viu que ele realmente estava ao seu lado novamente e estava decidido a retomar o seu posto, ela pôs as mãos em volta de sua cabeça em forma de coroa como se o abençoasse e disse:

- Corpo de homem, ego de rei e coragem de um guerreiro. Seja bem-vindo novamente ao lugar que lhe pertence e que o senhor, assim como sempre fez, traga alegria, esperança e união para o povo de nossa terra. Retorne ao seu posto com a certeza de que está fazendo a coisa certa e de que me tens ao seu lado para o que for necessário e que pelo senhor, eu empunharei quantas espadas forem necessárias contra quantos tolos forem necessários, para provar a quem duvide de que ainda és o rei que eu conheci há nove anos atrás. Vida longa ao Rei !!!


E se o rei vai voltar de vez ou não? Isso ainda não se sabe, só o tempo vai dizer. Mas caso ele retorne, ele sabe que Erunamë estará lá para servi-lo e para ajudá-lo a governar, não importa o que aconteça.


*Dedicado ao meu eterno rei Allatar, que está retornando aos poucos ao seu reinado e fazendo a todos muito felizes. Espero que aprecies, pois foi escrito as 4 da manha do fundo deste meu sombrio coração. Lembre-se que você disse quinze dias...