Com os meus vinte anos de experiência (tá, tudo bem, eu não tenho tudo isso rodado. Fiquei um tempo na garagem e talz, mas e daí?) eu aprendi a não esperar muito de ninguém. Nem de mãe, nem de pai, ou de qualquer outro ser que respirasse ou tivesse um coração batendo.
Por quê? Ah, pelo simples motivo que às vezes é impossível evitar, mas alguém sempre vai nos decepcionar. Não importa a proximidade, o motivo, raça, credo ou qualquer outra coisa. Às vezes é coisa da nossa cabeça, mas as vezes é simplesmente que não dá pra cumprir o que foi dito por motivos que para o outro, parecem descabidos, idiotas ou sem qualquer importância.
É sempre assim. A importância é questão de referencial. O que para um pode ser importante, para outro não é. Alias, acho que hoje em dia tudo é questão de referencial. As opiniões mudam de acordo com corpos, onde habitam as mentes. E mentes são mais vulneráveis do que corações, pois corações, por mais que tentemos uma hora ele deixa escapar o que há dentro dele. Já a mente, pode se fechar como um casulo e enganar todos à sua volta. O coração se trai, a mente não.
Então, foi por isso que eu decidi, como forma de proteger meu coração e minha mente, não esperar nada de ninguém. Não esperar palavras, ações ou pensamentos. Não esperar ajuda, não esperar nada a custo nenhum. Porque o que acontece quando superestimamos o valor de alguém é que esse valor se torna o parâmetro desta pessoa para nós. E aí começam as comparações. De todo, o pior não são as comparações, pois estas sempre existirão independentes de qualquer coisa, mas o perigo está no fato de que, quando esse padrão for quebrado por qualquer que seja o motivo, e ele será, o nosso mundo acaba junto. O dia em que a pessoa fugir ao idealizado pela nossa cabeça, e acredite, ela em algum momento irá, a fascinação acaba e começam os problemas.
Por isso, eu não espero, não idealizo, não acredito. Eu vejo o ser humano como o vento, que ninguém pode segurar e muda de direção facilmente, a seu desejo. Não adianta tentar controlar, segurar ou entender. Ele faz o que quer e, como não dá pra controlar o outro, a única solução é controlar a nós mesmos.






