segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eutanásia - Relato real


Ontem, eu e minha mulher estávamos sentados na sala, a falar das muitas coisas da vida. 
 

Estávamos a falar de viver e morrer. 
 
Então eu disse-lhe : 
 
Nunca me deixes viver num estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de líquidos. Se me vires nesse estado, desliga tudo o que me mantém vivo, ok? 
 
 
 
Vocês acreditam que a filha da P*** se levantou, desligou a televisão e jogou fora a cerveja que eu estava bebendo ? 
 

Eu carrego o seu coração


I carry your heart with me (I carry it in
My heart) I am never without it (anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
By only me is you're doing, my darling)

I fear no fate (for you are my fate, my sweet) I want
No world (for beautiful you are my world, my true)
And it's you are whatever a moon has always meant
And whatever a sun will always sing is you

Here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
And the sky of the sky of a tree called life; which grows
Higher than soul can hope or mind can hide)
And this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (I carry it in my heart)


Eu carrego seu coração comigo (Eu o carrego eu meu coração)
E eu nunca estou sem ele (Onde quer que eu vá, você vai, meu querido)
E tudo o que é feito apenas por mim, é você fazendo, meu querido)

Eu não temo nenhum destino (Porque você é o meu destino)
Eu não quero nenhum mundo (Pela beleza, você é meu mundo, minha verdade)
E você é o que a lua sempre significou
E o que quer que seja que o sol cante, é você


Aqui está o mais profundo segredo que ninguem conhce
Aqui está a raiz da raiz, o broto do broto
O céu do céu de uma árvore chamada vida
Que cresce mais alto do que uma alma pode esperar
Ou uma mente esconder
E essa é a maravilha que mantém as estrelas separadas

Eu carrego o seu coração (Eu o carrego em meu coração)

E. E. Cummings.

domingo, 4 de outubro de 2009

Desconfianças e afins.




Eu desconfio muito. Este é um dos meus grandes defeitos. Eu desconfio de tudo e de todos. Alguns dizem que isso é um defeito, e uma minoria seleta que acha que sabe tudo, ‘uma incapacidade de envolvimento com o próximo’.

A desconfiança traz problemas, mas a confiança excessiva traz muito mais. Creio que não exista sensação pior do que o sentimento de que se foi traído. A traição a que me refiro não é a traição carnal, homem e mulher, relacionamento amoroso. É a traição ideológica, traição da confiança. Sentirmos que depositamos toda a nossa confiança, nossos valores, e este, sendo amigo, parente ou até não sendo nada, que a amassou e jogou fora como um simples pedaço de papel.

Fico perplexa ao ver meninas reclamando de coisas fúteis com relação a infidelidade. Talvez elas nunca tenham conhecido uma traição de verdade. Nunca tenham sentido sua alma ruir ao ver que tudo o que acreditavam não passava de palavras ao vento.

Se eu acredito nas pessoas? Depende de como elas falam comigo. Podem me contar a maior mentira do mundo, mas se tiver o olhar correto, eu acredito. Posso até acreditar na mentira mais deslavada do mundo, mas eu não acredito na mudança das pessoas.

Cada um nasce com uma essência. Essa pode ser boa ou ruim. É mais ou menos como no Laranja Mecânica do Kubrick. Um individuo pode suprimir sua essência por algum tempo, mas não durante todo o tempo. Pode ainda escondê-la de si próprio, mas um dia a mascara cai.

Voltando ao assunto confiança, Schopenhauer diz que quando nos ferem com um erro cometido, devemos avaliar se vale a pena manter essa pessoa em nosso convívio, pois ao perdoarmos, assumimos a responsabilidade de o erro ser cometido novamente. Já um outro autor diz que até eliminarmos todos os nossos inimigos, todos de quem gostamos são reféns, podando nossas ações e consciência.

Eu não tenho a mínima certeza se consegui expressar o que eu queria nesse testículo, porém, vou tentar resumir.

Eu não confio nas pessoas, não acredito que elas possam mudar e nunca me abro. Por que eu sou assim? Não sei. Talvez eu fosse diferente e as porradas da vida me fizeram mudar. Ou talvez eu veja nisso uma forma de proteção. Quem sabe ainda seja essa a minha essência. Acredito que ninguém é 100% amigo ou verdadeiro conosco. O ser humano é o animal que mais age por impulso. As vezes até sem motivo aparente. Ele é capaz de matar por  motivos reais ou banais. Por essas e outras é que eu desconfio. Desconfio de tudo e de todos, e continuo olhando para os dois lados antes de atravessar a rua.